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Numa tarde de Barcelona
tarde também na Borborema,
vertia uma gota de sangue cada poema.
Naquela tarde em que tudo era noite,
no Tietê espesso,
o homem longo viu a água de óleo
nas agulhas esburacadas da igreja interminável.
Este templo não fica em Abbey Road,
mas ali as pegadas nuas de McCartney,
acolá a calçada verde que Winston Lennon cruzou.
Este templo,
entre o jardim de Goethe em Weimar
e o universo sem rima nem solução
dos abismos de Minas,
não cabe em espelhos de prata
nem se cobre do pano verde dos pampas.
Lá, entre o sem meio e o sem fim,
o homem se diz capaz de amar
o vizinho simples e singular,
em sua passagem ignorada
por cidade remota.
O pavão do Paraíso
faz ninho em cumeeiras
apenas imaginadas.
No sono de Gaudí,
o sonho de José.
Em lugar de degraus,
buracos na torre,
trem de estrelas para o céu,
onde Barcelona e Borborema
brincam de Deus.
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