Um minuto de silêncio e uma lágrima pelo poeta Bruno Tolentino, que foi. Um viva à poesia imortal, que fica e nos consola.

Na foto, de 2002, ele faz companhia a Nêumanne e a Libby, professora americana de literatura brasileira, na Livraria Azteca, numa cessão gentil do fotógrafo Ataíde Tartari, companheiro de sábados nas livrarias paulistanas. A seguir, homenagem de poetas leitores do Estação Nêumanne e fãs de Bruno Tolentino (1941-27.06.2007).


POETAS NAVEGANTES DO ESTAÇÃO NÊUMANNE HOMENAGEIAM BRUNO TOLENTINO

DE ASTIER BASÍLIO

Bruno Tolentino no caminho de Beatriz

aos teus pés se apresenta o último círculo.
A capela em que entram é uma neblina.
Há rumores com túnicas, onde os livros
são escritos à mão. O chão que pisas

não permite sandálias, nem recibos.
Nenhuma réplica, ali não há galeria
as imagens são seu espelho e mito,
são vivos os vitrais nesta Sistina

onde a idéia se faz em pedra e signo.
Entre incensos os pés de Deus caminham
como um vento a chamar cada escolhido.

Uma porta se sabe, outra advinha-se.
Cumprimentas os anjos em sua língua.
O teu nome é chamado. E o resto é abismo.

 

 

DE JOSÉ MARIA LEAL PAES 

a lágrima ao poeta encharca o vazio
apenas por pequeno tempo: os poetas se transmutam
de montanhas 
- onde cultivam a estesia, o verso -
em córregos a nutrir, fertilizar
almas, vales, lembranças, poetas como você

 

 

 

 

 

 

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