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Em 28 de dezembro, no Cine Mirabô, em
Manaíra, João Pessoa, o jornalista e escritor José Nêumanne
Pinto assumirá a Cadeira nº 20 (cujo patrono é o também
sertanejo Celso Furtado) da Academia Paraibana de Cinema.
Esta justificativa foi escrita a pedido do fundador e
presidente Wills Leal:
Em 1966, eu cursava o primeiro ano
científico no Colégio Estadual da Prata, em Campina Grande,
e tinha entre os colegas de classe um moreno magro e meio
encurvado, que fumava muito, adorava cinema, pretendia fazer
teatro e morava na rua da Pororoca. Entre uma tossida e uma
tragada, ele me contou que pertencia a um grupo que se
reunia aos domingos numa das classes do Colégio das Damas:
Iremar Maciel de Brito foi presidente do Cineclube Glauber
Rocha, assim como outro colega de turma, Roberto França. Se
não me engano, ambos figuravam entre os fundadores do
Cineclube, dos quais se destacava, de forma que chegou a ser
quase mitológica, um rapaz que havia morrido afogado muito
jovem numa piscina: Luiz Carlos Virgolino, primo de
Francisco Virgolino Barros, Nicó, também nosso colega de
classe e um amigo muito chegado meu. Entrei no Cineclube,
passei a freqüentar as reuniões semanais e dele fui
presidente. Além das reuniões, o cineclube tinha a tarefa
rotineira de escolher entre os filmes oferecidos pela
distribuidora ao gerente do Cine Capitólio, Múcio, irmão de
Luciano Wanderley, o dono do cinema, algum que preenchesse
os requisitos para fazer parte da programação das
quartas-feiras, as sessões chamadas de Cinema de Arte. Além
disso, o presidente do Cineclube tinha de escrever um artigo
explicando a escolha da fita no jornal Diário da Borborema.
Graças ao Cineclube, travamos contato com o cineasta e
crítico pessoense Carlos Aranha, que nos introduziu à fina
flor da intelectualidade da capital: o
Grupo Sanhauá de Marcos Tavares,
Sérgio de Castro Pinto, Marcos dos Anjos e Marcus Vinicius
de Andrade entre outros. A obrigação do texto semanal me
levou a uma redação de jornal e
ao abandono dos planos anteriores de cursar Geologia em
Recife. Carlos Aranha e
Manfredo Caldas iam a Campina Grande levando os cursos do
Instituto do Cinema Educativa
(INCE) do MEC para uma patota interessada, animada e que
logo se transformaria no Grupo
Levante, que montaria um texto meu no teatro, Pindorama
Idolatrina Salve Salve, com
direção de Carlos Aranha e um elenco do qual fazia parte
Agnaldo Almeida, sobrinho de Iremar. O espetáculo foi
proibido e o Cineclube extinto,
mas eu só me tornei jornalista
profissional e intelectual por causa desta paixão juvenil
pela sétima arte. Outro
episódio por mim vivido no Cineclube foi de importância
capital em minha vida pessoal: nele
conheci Regina Coeli do Nascimento,
com quem me casei e tive três filhos, que nos deram dois
netos.

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