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Nossa razão e a do
outro
Compreender a razão do outro é o segredo da boa diplomacia, certo? Certo! Mas o diplomata tem de conhecer a razão do outro exatamente para se tornar mais capacitado para defender o interesse do país que representa. O que falta ao trio de chanceleres brasileiros, principalmente a Marco Aurélio Garcia, que comanda as ações nacionais no palco “cucaracho”, é ter a mínima noção de defesa dos interesses brasileiros. Amamentada no leite da má consciência da exploração da miséria latino-americana pelo imperialismo tupiniquim, o consórcio Garcia-Amorim-Guimarães entende bem as razões de Hugo Chávez, Nestor Kírchener e mais ainda as do descendente de índios Evo Morales. E se esquece de que somos nós que lhes bancamos vencimentos e mordomias.
Com as calças na mão
Um assessor próximo ao presidente Lula, não identificado, confidenciou que o governo brasileiro “foi pego de calças curtas”. Na verdade, foi pego com as calças na mão. Porque o trio de chanceleres não informou ao presidente (que, como se sabe, não é muito fanático por receber notícias que o contrariem) que o Brasil não deveria contar com a falácia do presidente da Petrobras, de que os bolivianos não têm como operar as refinarias ocupadas. Têm, sim! Técnicos e administradores venezuelanos, sob a chancela do “grande irmão” Hugo Chávez, já fazem isso há tempos, antes mesmo de o “companheiro” Evo Morales reduzir o contrato com a Petrobras a cinzas. A tal solidariedade bolivariana sulamericana é um conto de carochinha para enganar petista bobo.
E agora, Luiz?
Neste ano eleitoral, o governo federal tem vendido a falácia de que a conquista da auto-suficiência em petróleo é mais um grande feito, naquela base do discurso palanqueiro do “nunca antes”. A questão que se impõe depois da punhalada pelas costas do “companheiro” indígena da Bolívia é se o eleitorado brasileiro vai ser devidamente informado do rombo de US$ 1 bilhão que a ilusão da solidariedade com os pobres irmãos andinos está produzindo nos cofres da Petrobras, empresa cujo acionista majoritário é o pobre e sofrido povo brasileiro. Afinal, a auto-suficiência é produto de um esforço de vários governos e o prezuíjo na Bolívia resulta de um erro de cálculo grosseiro só dos atuais gestores.

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DIPLOMACIA
INCAPAZ

Não dá para esperar nada de corajoso
nem de particularmente inteligente ou sensatamente honesto do
chanceler Celso Amorim. Afinal, esse cidadão foi presidente da
Embrafilme no regime militar e, depois de ter sido ministro das
Relações Exteriores no mandato-tampão de Itamar Franco,
apresenta-se como “vítima” da ditadura para ficar bem com
os colegas da atual gestão petista. Teoricamente, ele é
chanceler, mas na prática não é bem assim. Pode ocupar o
cargo e gozar das mordomias que este propicia – e elas não são
poucas -, mas sua influência na política exterior do governo
Lula é quase nula, porque no Itamaraty propriamente dito manda
seu secretário-executivo, o também diplomata de carreira
Samuel Pinheiro Guimarães, e nas relações com os parceiros
tidos como prioritários pela elite petista no poder, os
vizinhos da América Latina, quem dá as ordens é Marco Aurélio
Garcia, professor universitário e há muito tempo conselheiro
de Lula para assuntos que exijam alguma escolaridade, assunto no
qual, como se sabe, o chefe do governo não é propriamente
enfronhado.
Pois bem, mas ainda assim, é surpreendente que a diplomacia
brasileira ainda seja surpreendida por atitudes agressivas como
a do novo presidente da Bolívia, o tosco Evo Morales, que
rasgou o contrato que regulava a presença da Petrobras em seu
país e ainda mandou tropas fardadas, armadas e embaladas,
ocupar as refinarias da estatal brasileira em seu território. A
atitude do novo caudilho boliviano foi um ato de guerra típico
e só não foi encarado como tal pelo Itamaraty nesta sua nova
fase à qual se incorporou ao tradicional fastio de nossos
profissionais a submissão a ditames ideológicos absurdos
porque anda faltando aos sucessores do Barão de Rio Branco o mínimo
de competência e um restinho de nada de amor à Pátria.
Nossa razão e a do outro
Compreender a razão do outro é o segredo da boa diplomacia,
certo? Certo! Mas o diplomata tem de conhecer a razão do outro
exatamente para se tornar mais capacitado para defender o
interesse do país que representa. O que falta ao trio de
chanceleres brasileiros, principalmente a Marco Aurélio Garcia,
que comanda as ações nacionais no palco “cucaracho”, é
ter a mínima noção de defesa dos interesses brasileiros.
Amamentada no leite da má consciência da exploração da miséria
latino-americana pelo imperialismo tupiniquim, o consórcio
Garcia-Amorim-Guimarães entende bem as razões de Hugo Chávez,
Nestor Kírchener e mais ainda as do descendente de índios Evo
Morales. E se esquece de que somos nós que lhes bancamos
vencimentos e mordomias.
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Ilusão
de noiva
A
brutal nacionalização dos ativos da Petrobras na Bolívia
também põe em xeque o velho sonho petista
(administrado por Marco Aurélio Garcia) da liderança
mundial a ser exercida por Luiz Inácio Lula da Silva.
Se não consegue administrar velhos quintais
brasileiros, como a Bolívia, agora sob influência do
venezuelano Hugo Chávez, como pode nosso profeta e guia
do “nunca antes” almejar o pódio disputado por
pesos pesados da economia do futuro, como Índia e
China? O pior é que nem a rápida substituição dos técnicos
brasileiros pelos venezuelanos no terreiro de Evo
Morales deverá mostrar de uma vez aos teóricos da
hegemonia do “pai dos pobres” sobre o mundo
encantado o absurdo desse sonho.
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Que
emprego, que nada, sô!
Amigo
leitor do JP, quer saber por que o candidato da oposição,
Geraldo Alckmin, do PSDB, não consegue fazer sua
campanha decolar nem do aeroporto João Suassuna, ao
embalo do forró, em Campina Grande? Leia a entrevista
que ele deu para o Estadão domingo dizendo que fará do
Bolsa Família uma “porta de saída”, criando
empregos depois de dar a esmola. Os tucanos não
entenderam direito que o segredo que faz o povão
perdoar o PT do “mensalão” e do “valerioduto”
é a esmola propriamente dita, e não uma perspectiva de
ocupação. Eles me lembram o caso do mendigo desaforado
que, ao receber a esmola e o conselho de que não
deveria pagar bebida com ela, retrucou: “Vai querer o
quê? Que eu compre uma casa?”
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Eles
sabem que fazem
Nem o mais ingênuo dos brasileiros tinha o direito de esperar
comportamento diferente da cúpula petista que, neste fim de
semana em São Paulo, decidiu postergar para depois das eleições
(e daí, com certeza, para as calendas gregas) a investigação
sobre a “companheirada” que se envolveu no escândalo do “mensalão”.
A auto-indulgência do PT não permitia outra saída para a
questão. Como se sabe, com base no velho lema stalinista,
segundo o qual “os fins justificam os meios”, os petistas
adaptaram a frase de Cristo na cruz e têm como preceito o
“perdoai-nos, ó vós, que sabeis que, como nós, também
fazeis”. Do mandamento comunga a oposição, partícipe do
perdão genérico aos “mensaleiros” na Câmara.
Assim seja, mano!
O cúmulo da desinformação é pensar que a esquerda em geral
– e o PT em particular – considera o comunismo fim e a
ditadura do proletariado meio para chegar a ele. Os fins agora são
as “boquinhas” no aparelho do Estado e para conquistá-las
vale a disputa dentro das regras do jogo da democracia dita
“burguesa”, por isso mesmo tão execrada antigamente. O
“partido das boquinhas” agora precisa mesmo é reeleger o
companheiro-mor presidente, como declarou o secretário de Relações
Internacionais, Valter Pomar. Se para tanto, convém enterrar o
velho sonho da auto-suficiência da ética na política, é só
chamar o padre de passeata e mandar dar a extrema-unção ao
velho discurso abandonado. Amém, só nós!

Francenildo
Santos
Costa, o Nildo, humilde caseiro piauiense, que ousou contar o
que viu e com isso derrubou o todo-poderoso primeiro ministro da
Fazenda do governo Lula, Antônio Palocci, reúne todos os méritos
para estrelar esta série de heróis brasileiros, inaugurada
aqui na semana passada com Severina Xavier, a Guarabira,
paciente do leprosário de Bayeux. Ele encarou todas as pressões
e continua sendo processado pelos esbirros da Receita e da Polícia
Federal, mas não mentiu. Nem omitiu.
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