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Para ser fiel ao espírito macabro desta
coluna hoje, encerro-a dando-lhe uma dica cultural. Se passar em
João Pessoa a fita Três enterros, de Tommy Lee Jones, o ator
americano estreando na direção, não perca! É uma versão
bem-sucedida daquela maçante telenovela global América. A saga
de uma amizade, ocorrida na fronteira despovoada do Texas com o
México, é narrada na fita com fluência, mantendo em suspenso
o fôlego do espectador, a principal característica de uma boa
narrativa, segundo o preceito do mestre Gabriel García Márquez.
Os intérpretes, principalmente o protagonista e diretor, mas não
somente ele, dão um banho de competência em seus papéis. Não
se deixe espantar pelo título tétrico.
Impunidade
geral e irrestrita
Continua válida como nunca a expressão
“Brasil, país da impunidade”, cunhada pelo colega Sebastião
Barbosa, o Barbosinha, sobrinho da mártir dos camponeses
Margarida Alves. Demitido pelo presidente da República da Casa
Civil e cassado pelos próprios pares da Câmara dos Deputados,
o comissário José Dirceu continua desfilando lépido e
fagueiro em jatinhos particulares emprestados por amigos ricos.
E acaba de ganhar do amigo Eros Grau um presentão de Dia das Mães:
não vai ter de explicar ao MP de São Paulo se, afinal,
recebia, ou não, malas de dinheiro oriundas de Santo André e
transportadas no automóvel de Gilberto Carvalho, hoje secretário
particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Aliás, a senadora Heloísa Helena não
faz segredo de que também se sente ameaçada de morte por sua
oposição ferrenha ao governo. Recentemente, ela telefonou para
a viúva de Antônio Costa Santos, equivocadamente apelidado na
mídia de Toninho do PT (e só depois de sua execução, à véspera
da queda das torres gêmeas de Nova York, em setembro de 2001)
para avisá-la de que, se aparecer morta e isso for atribuído a
suicídio, ela não deveria acreditar. Roseana Garcia, a
interlocutora, que também se sente ameaçada por exigir a apuração
completa do assassínio do marido, entendeu perfeitamente o
recado. A senadora se referia à perícia que apontou como suicídio
a causa da morte de Carlos Delmonte, o legista dos casos de
Campinas e de Santo André.
Será útil ainda lembrar que Heloísa
Helena não manifestou essa desconfiança apenas em particular.
Pelo microfone do plenário do Senado, contou a seus pares que
avisou aos filhos que não acreditem que possa ser um crime
banal, comum no ambiente violento das grandes cidades
brasileiras, o eventual assalto de que ela seja vítima. No
mesmo pronunciamento reafirmou que não tem vocação suicida. E
disse, com efes e erres, quem considera suspeito de mandar matá-la,
caso isso venha a acontecer: “este governo de bandidos”. Não
consta que nenhum ex-colega petista da parlamentar e presidenciável
tenha tentado desmenti-la ou sequer desdizê-la. Por que será,
hein? Falta-lhes convicção de que ela mente ou lhes sobram
informações de que ela fala a verdade?
Nunca
antes se temeu tanto
Quem acha que a senadora tem razões
para temer pela vida baseia-se em noticias recentes. A viúva de
Antônio Costa Santos tenta obter cidadania portuguesa para a
filha adolescente por não se sentir segura no Brasil. O irmão
mais velho de Celso Daniel, João Francisco Daniel, fechou a clínica
de oftalmologia de 30 anos em São Bernardo para se esconder no
interior da Bahia, com medo de ser executado pelos assassinos do
ex-prefeito petista de Santo André. O irmão deles, Bruno
Daniel, e a mulher deste, Marilena Nakano, fugiram para o
exterior, levando os três filhos, pelo mesmo motivo. Deu uma síndrome
geral de pânico entre parentes de petistas mortos ou há algo
mais podre no ar do que se admite neste reinado de dom Lulinha,
que “nunca antes...”?
Há quem estranhe o fato de o PT, que
demonstra nunca ter faltado a nenhuma das aulas dos coronéis de
antanho, ora se empenhe tanto em manter impunes os mandantes dos
assassinatos dos próprios companheiros Antônio Costa Santos e
Celso Daniel. Afinal, os coronéis só matavam adversários,
nunca amigos ou apaniguados. Esta era uma especialidade do ídolo
da “companheirada” petista: Josef Stalin. Quem duvidar está
convidado a ler o calhamaço Stalin – na corte do czar
vermelho, de Simon Montefiore. Compulsando as cartas dos
auxiliares mais próximos do camarada bigodudo, o autor conta em
detalhes como este planejava e executava a extinção física
dos que mais pareciam gozar de sua confiança e amizade.
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