|
|
|
O balanço dos 251 atentados terroristas
executados por ordem de um tal de Marcola, de seu telefone
celular na prisão de onde dirige o Primeiro Comando da Capital,
o PCC, foi trágico: 80 ônibus, 15 agências bancárias, 1
garagem de ônibus e 1 estação de Metrô foram atacadas,
resultando 115 mortos, ao todo – 71 do bando atacante e 44
agentes da lei ou inocentes (23 policiais militares, 6 policiais
civis, 3 guardas municipais, 8 agentes carcerários e 4 civis).
E que ninguém se engane com o número de bandidos presos –
115 –, pois ele é irrelevante diante do poder de fogo,
organização e articulação exibido pelos fora-da-lei.
A sociedade comemora, aliviada, essa
decisão de suspender as hostilidades. Mas tal alívio não tem
o condão de ocultar as evidências trágicas de que a tragédia
continua. Era claro, desde o início, que essa ordem teria de
ser dada em algum momento, pois, para qualquer observador
desapaixonado, isento e minimamente inteligente, os bandidos não
tinham fôlego, ou seja, equipamentos e executantes, para manter
o aparelho repressivo do Estado sob sua alça de mira. Em algum
momento, eles teriam de parar e o fizeram com a mesma disciplina
e a mesma organização com que deflagraram o banho de sangue na
semana passada.
Foi aventada a hipótese de ter o cessar
fogo sido negociado entre as autoridades responsáveis pela
manutenção da ordem e os delinqüentes que as desafiaram.
Trata-se de uma hipótese terrível, não apenas do ângulo da
intranqüilidade que ela pode gerar na sociedade pacífica e
ordeira, que delega o monopólio do exercício da força legítima
para que o Estado de Direito a exerça, mas também dos pontos
de vista político e institucional. Afinal, a democracia é o
império da lei e a obediência às normas jurídicas vigentes
é condição inegociável de sua sobrevivência.
|
|
Ainda que a versão de que a trégua – e não a paz
definitiva, é bom que isso fique bem claro – foi negociada não seja
verdadeira, os gestores públicos têm de tirar do episódio – que, além de
enlutar várias famílias, praticamente paralisou a cidade mais importante do
País e outros centros urbanos do Estado durante toda a segunda-feira, pelo
menos – lições a serem aplicadas com a urgência e a eficiência que
sempre demandaram e nunca mereceram. A principal delas é a necessidade de
atitudes mais conseqüentes e rigorosas desses gestores públicos para o
Estado poder cumprir sua tarefa precípua de garantir a vida e a liberdade dos
cidadãos. A miríade de promessas eleiçoeiras não cumpridas, no caso da
insegurança pública, é um crime de lesa-pátria.
Deslize elementar no caso foi o cometido pelo
governador de São Paulo, Cláudio Lembo, do PFL, que avalizou a informação
do secretário de Segurança que herdou do candidato do PSDB à Presidência
da República, Geraldo Alckmin, Saulo de Abreu. Segundo as autoridades, a polícia
já sabia de antemão que o banho de sangue fora planejado pelo PCC. Se
sabiam, por que não agiram? Do Estado a população ordeira espera que ponha
em ação um plano de emergência para responder ao ataque dos bandidos. E
isso não foi feito. Se não eram capazes de fazer isso, teriam de alertar os
agentes da lei e os cidadãos inocentes da iminência da tragédia. Se nada
disso foi feito, saber antes não aplaca, mas aumenta, a culpa das autoridades
estaduais paulistas na tragédia.
É execrável o jogo de empurra dos gestores públicos,
que aproveitam para disparar no adversário de olho nas eleições de outubro:
rotos falando mal de esfarrapados. Lembo pegou o bonde da administração
estadual paulista andando e, se essa carona foi muito proveitosa em diversos
setores, na segurança pública os tucanos são tradicionalmente desastrados.
Covas e Alckmin lhe entregaram um bastão bichado. E Lula reduziu
drasticamente as verbas no setor, segundo dados oficiais da execução do Orçamento
da União. Seguindo a tradição de prometer indefinidamente sem nunca
cumprir, a gestão federal petista anunciou repasse de verbas para os Estados
construírem prisões, mas estas nunca se materializaram.
O renomado criminalista paulista Márcio Thomaz
Bastos, ministro da Justiça, ofereceu os préstimos da Polícia Federal ao
governador Cláudio Lembo. Seria uma tática esperta de tergiversar, se não
fosse somente uma deslavada manifestação de cinismo. A PF tem protagonizado
freqüentemente o noticiário, desempenhando o papel de instituição
eficiente no combate ao crime do colarinho branco, atividade na qual a
investigação não é tão complexa como parece e o risco de baixas de
agentes é próximo de zero. Mas essa repartição burocrática da administração
federal, sob as ordens do valoroso defensor de presos políticos à época da
ditadura, não tem cumprido sua obrigação precípua de reprimir o tráfico
de drogas, atividade que sustenta o crime organizado.
Os terroristas do PCC se aproveitaram da cumplicidade
dos boateiros para disseminar o pânico. Na “batalha de São Paulo”,
prestaram essencial serviço aos bandidos comunicadores que espalharam o pânico
que paralisou a maior cidade do País na segunda-feira, comerciantes que
fecharam as portas de seus negócios e executivos que pararam ônibus, Metrô
e outros serviços públicos essenciais. Destaque especial para o professor de
Direito da PUC Pedro Estevão que defendeu a decretação de “estado de
emergência” em São Paulo pelo presidente Lula. Esses boateiros não
mataram ninguém, mas merecem ser execrados pela covardia: ao contrário dos
delinqüentes, não arriscaram a vida. Pelo jeito, nem a reputação.
Em São Paulo, onde coordenou debates de um encontro
internacional de liberais, ao lado do francês Guy Sorman, entre outros, o
cineasta pessoense Ipojuca Pontes ainda teve tempo para acompanhar o noticiário
da TV Senado. Diante do pronunciamento de um nobre parlamentar petista chamado
Sibá Machado, o diretor do memorável documentário Homens do caranguejo, e
de Pedro Mico (protagonizado por Pelé), que os amigos chamam carinhosamente
de “Cego”, não se conteve e despejou sua ira misturando o estilo de seu
Manduri, de Patos, no sertão da Paraíba, com João Guimarães Rosa, de
Cordisburgo, no Norte de Minas Gerais. “Esse um, se ficar de quatro, sai
pastando e não se levanta mais nunca”, disse. Arre!
A leitores e ouvintes cativos um convite oportunista.
Deculpem-me o jabá, caititu ou seja o que for, mas não resisto a marcar um
encontro com esses amigos. Na happy hour do domingo 21 de maio, adequadamente
uma hora feliz para mim, de volta à terrinha, uma vez mais, vou participar de
uma mesa redonda na primeira Bienal do Livro da Paraíba. Espero apertar a mão
de cada leitor desta coluna nova e falar de meus livros velhos lá no Espaço
Cultural José Lins do Rego, meu xará e ídolo de infância. Fogo Morto, sua
obra-prima, é um texto que imortaliza o escritor e sua terra, Pilar, onde
também nasceu o jornalista Edwaldo Pacote, que tem jeito de puxador de fole e
talento de escriba do primeiro time.
|
|
HERÓIS BRASILEIROS
|
|
O deputado
José Távora convida para a entrega da Medalha Tiradentes à
cantora paraibana Elba Ramalho. Espezinhada na Paraíba, por ter
a coragem de denunciar a exploração eleiçoeira e perspectiva
de corrupção no projeto faraônico da transposição das águas
do Rio São Francisco, ela tem seus méritos reconhecidos no Rio
de Janeiro, onde mora há mais de 30 anos. A sessão solene
ocorrerá às 18h30m de segunda-feira no plenário Barbosa Lima
Sobrinho da Assembléia Legislativa do Estado do Rio. Viva Elba!
|
|