Chacina dos facínoras,
não!
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Tudo indica que o Ministério Público
Estadual de São Paulo só exigiu da polícia paulista a lista
de todos os suspeitos mortos em enfrentamentos durante e após a
ofensiva do Primeiro Comando da Capital (PCC) por pressão das
entidades de direitos humanos com as quais se encontrou. A
população paulistana lamenta o contraste existente entre o
empenho de tais entidades para defender marginais e sua absoluta
indiferença quanto à sorte dos agentes da lei e dos cidadãos
inocentes executados por tais delinqüentes. Mas isso não quer
dizer que a opinião pública aceite passivamente as versões
oficiais a respeito das vítimas dos enfrentamentos entre
criminosos e policiais, mormente quando estas não vêm
acompanhadas de documentação completa e confiável. Transparência
também é segurança, é ou não é?
Seja qual for, portanto, a motivação
para a exigência do MPE de que os responsáveis pela segurança
pública no Estado de São Paulo fornecessem em 72 horas a lista
dos mortos e as cópias de todos os boletins de ocorrência e
laudos assinados por peritos do Instituto Médico Legal (IML),
ela atende, sim, ao interesse público. E não contraria a
natural simpatia da população pela ação da polícia, que
debelou com desassombro o pânico disseminado pelo PCC. A
maioria dos paulistanos respeita o heroísmo dos agentes da lei
executados no cumprimento do dever ou no recesso de seu lar. E
desconfia do ânimo politicamente correto das entidades de
direitos humanos em enxergarem truculência policial no que se
fizer para dificultar a ação criminosa daqueles que elas
consideram pobres vítimas da injustiça social. Reconhece, também,
as dificuldades que os policiais enfrentam quando se deparam com
suspeitos prontos a agir se aproveitando do fator surpresa. Não
aceita, porém, a retaliação pela chacina dos facínoras.
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Quem não deve...
Para completar o raciocínio sem deixar
dúvida alguma sobre minha posição a respeito do tema difícil
e polêmico abordado na abertura desta coluna, reafirmo que,
mesmo acuado pela ousadia dos criminosos que desafiam a lei e
perturbam a paz social e aliviado com a pronta ação dos
responsáveis pela manutenção da ordem, o cidadão pacífico
exige das autoridades às quais delega o exercício do monopólio
da força legítima transparência, obediência às leis e
respeito à integridade física alheia. É estranho que a polícia
não tenha até agora informado, por vontade própria, o que o
MPE passou a exigir e que o governador Cláudio Lembo tenha
apoiado, pelo menos até agora sem restrições, essa atitude
dela. Afinal, o que tem a temer quem nada fez de errado?
Antípodas, mas amigos
Velha e fiel é a amizade dos antípodas
ideológicos Luiz Inácio Lula da Silva e Cláudio Lembo. Sou
testemunha privilegiada disso, pois eu os apresentei um ao outro
no sítio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do
Campo, às margens da represa Billings, no fim dos anos 70.
Lembo procurou o então líder sindical a pedido do chefe da
Casa Civil do último governo militar, Golbery do Couto e Silva,
que consultava a sociedade civil sobre a revogação do AI 5.
Este estranhou que, em vez disso, Lula haja preferido
reivindicar o fim das intervenções nos sindicatos. Ali surgiu
o respeito mútuo que dura até hoje. Mas não foi propriamente
isso que motivou os elogios do presidente à postura do
governador paulista no enfrentamento ao desafio do PCC.
Foi só cálculo
O que motivou o elogio presidencial foi
mero cálculo eleiçoeiro. Lula tem acompanhado o fogo amigo dos
tucanos contra o pefelista sobre a questão. Na verdade, as críticas
dos próceres do PSDB à forma escolhida pelo governador
paulista para enfrentar o PCC provam que lhes faltam caráter,
vergonha, autocrítica, inteligência e sensibilidade política.
A política de segurança pública do atual governo não passa
da extensão da linha adotada pelos tucanos antes. São eles, e
não Cláudio Lembo, que têm nojo de polícia e o calcanhar de
Aquiles das gestões de Mário Covas e Geraldo Alckmin foi, sem
dúvida, fruto de sua incompetência em lidar com a insegurança
reinante nas cidades brasileiras. E, ao contrário do que eles
imaginam, qualquer um sabe disso.
Incompetência premiada
Dia destes, ouvi entrevista do senador
Romeu Tuma (PFL-SP) à Rádio Jovem Pan dizendo que foi chamado
para a Secretaria de Segurança, mas Lembo foi forçado a
desconvidá-lo por se ter comprometido com Geraldo Alckmin a
manter o ocupante do posto, Saulo de Castro. Até as pedras da
rua sabem que, muito bem-sucedida em outros setores, como
atestam as pesquisas, a gestão estadual tucana malogrou na
segurança pública. Pobre país este nosso, onde a incompetência
é premiada! Por falar em incompetência, o secretário da
Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, tem sido
mantido. Teria Lembo prometido também mantê-lo? Aí o caso
seria mais grave, pois este é o mais notório incompetente de São
Paulo.
Bis com choro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
se queixou da lei eleitoral que o proíbe de continuar
distribuindo verbas públicas para governadores e prefeitos
depois de 30 de junho para não contaminar a serena opção do
eleitor. Já tendo dado uma volta e meia ao mundo em aviões
oficiais fazendo campanha não declarada para a Presidência,
Sua Excelência não conseguiu com isso sequer chamar a atenção
do Tribunal Superior Eleitoral para o fato de nunca ter descido
do palanque desde que se candidatou ao posto pela terceira vez,
em 2002. O presidente do TSE, Marco Aurélio Melo, fala muito -
e bem -, mas nada tem feito de fato para deter o abuso do cada
vez mais favorito ao bis, que chora de barriga cheia.
Parai-be-a-bá
Quando cheguei ao Espaço Cultural José
Lins do Rego domingo numa hora bem feliz para fazer uma palestra
sobre a ética segundo o escritor americano Truman Capote,
Clotilde Tavares me informou que a primeira Bienal do Livro da
Paraíba vendera nos três primeiros dias mais ficção que a de
Natal, na qual foi inspirada. Depois de responder a perguntas
que versaram exclusivamente sobre o tema, sem que ninguém me
perguntasse nada sobre os assuntos corriqueiros de meus comentários
no rádio e nesta coluna, cheguei à conclusão que este nosso
Estado é realmente sui generis. Não foi à toa que aqui
nasceram Augusto dos Anjos, José Lins do Rego e José Américo
de Almeida, gênios da literatura em português.
Chuchu com jiló
O presidente e candidato à reeleição
não deve é ter queixa alguma de seus adversários. Os tucanos,
reunidos em Nova York, a uma razoável distância das batalhas
de São Paulo, cuspiram no prato que deixaram à mesa para o PFL
no maior Estado da Federação. E, para mostrar que não fica
atrás do PSDB em matéria de fazer o possível para o adversário
não ter de disputar o segundo turno, este partido, antes tido
como um símbolo do pragmatismo, indicou para candidato a vice
de Geraldo Alckmin o pernambucano José Jorge. Nada contra o
escolhido, mas para enfrentar uma candidatura de vento em popa,
talvez fosse mais adequado alguém que não lembrasse um jiló
para compor uma chapa com o “picolé de chuchu”.
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HERÓIS BRASILEIROS
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O
bombeiro morto
O soldado André Luís Santos Nunes,
casado, 2 filhas, foi duplamente herói. Quando vivo, serviu no
Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de São Paulo,
pertencendo a uma raridade em nossa República: uma instituição
pública (e policial) que só merece respeito e até admiração
da população que nela confia. Executado covardemente em 15 de
maio pelos facínoras do PCC, passou para a História como uma
baixa do Bem na ofensiva do Mal, que aterrorizou São Paulo e
enlutou a família deste brasileiro como nós.
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