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Os tucanos criticam a deficiente formação
escolar do adversário petista, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas
faltaram a algumas aulas básicas de História do Brasil. Não
atentaram até agora, por exemplo, para os maus resultados das
“cristianizações” do passado. Cristiano foi sacrificado em
benefício de Getúlio, que se matou com um tiro no peito. Jânio
Quadros renunciou à Presidência e gerou uma crise política que
desaguou no golpe militar de 1964, cujos líderes cancelaram a
eleição de 1965 e, de lambujem, cassaram o mandato de JK, que,
então senador, votara no primeiro presidente militar, Castello
Branco, na eleição indireta no Congresso. Collor teve o mandato
interrompido pelo impedimento aprovado pelo Congresso que o
detestava e ele desprezava.
De um lado, convém lembrar que o primeiro
responsável pela “cristianização” de Alckmin foi ele mesmo.
No governo de São Paulo, proibido pela lei de se candidatar à própria
reeleição e sem ânimo para disputar o Senado por sentir que o
adversário, Eduardo Suplicy, do PT, não será fácil de ser
batido, apostou todas as suas fichas na indicação presidencial
pelo PSDB. Foi com tanta sede ao pote que demoliu as precárias
pontes que o ligavam ao ex-prefeito da Capital paulista José
Serra. Na sofreguidão de obter a indicação dos convencionais,
comportou-se de maneira açodada e até inábil. De modo que
venceu Serra, mas, contrariando o lema de Machado de Assis, pode
entregar as batatas ao vencido, favorito na luta pelo governo do
Estado de São Paulo.
De outro lado, o candidato tucano ao
governo paulista talvez se precipite ao considerar a derrota do
correligionário para a Presidência e a própria vitória como
favas contadas e ver isso até com euforia. O raciocínio de Serra
aproxima-se do de Juscelino em 1960: melhor ter Lula presidente
agora, pois em 2010 ele não poderia mais se candidatar, que
ajudar a Alckmin e levar ao Planalto um candidato à reeleição.
Desde que foi instituída pelo tucano Fernando Henrique, a reeleição
no Brasil favorece tanto o executivo no exercício do cargo que o
pleito eleitoral entre os dois mandatos parece mais um recall que
uma disputa para valer. Como JK, Serra pode se dar mal se Lula
eleger uma bancada forte do PT para incomodá-lo na Assembléia de
São Paulo.
Mais ainda que Serra, o governador Aécio
Neves se considera imbatível na disputa pelo governo de Minas
Gerais. Seu interesse na derrota de Alckmin e na vitória de Lula
se tornou evidente quando, sob inspiração do comissário José
Dirceu, foi lançada a pré-candidatura do mineiro nascido na
Bahia Itamar Franco pelo PMDB, não para valer, mas apenas para
entregar o partido de bandeja ao grupo governista do partido,
rachado ao meio. “Alckmin é meu candidato, mas o candidato de
Minas é Itamar”, disse o neto de uma célebre raposa política
do PSD, Tancredo Neves. Pelo visto, ele não aprendeu uma lição
que o avô gostava de repetir: “a esperteza quando é demais
termina mesmo por engolir o espertalhão”.
“Você já aprendeu a malandragem,
hein?” disse o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) ao
advogado do PCC Sérgio Wesley da Cunha, quando este depunha na
CPI do Tráfico de Armas. “Aprendi aqui mesmo”, respondeu o
depoente, incontinenti, provocando revolta nos nobres
parlamentares que o inquiriam. Preso por desacato à autoridade, o
desacatado foi convocado a olhar em redor e ver quem ele
ironizava. Isso foi, no mínimo, temerário, pois na certa ali
estavam muitos deputados que têm votado sistematicamente na
absolvição dos colegas que pegaram um dinheirinho do “valerioduto”.
Convivendo com bandidos violentos, o advogado talvez não tivesse
dificuldade em identificar os colegas de colarinho branco.
Uma semana após a revista Veja ter
estampado na capa a foto de Marcos Willians Herbas Camacho,
Marcola, o comandante do PCC e mandante do massacre de policiais e
civis inocentes em São Paulo, sua concorrente Época (do grupo da
Rede Globo) registrou conversas gravadas em vídeo nas quais o
bandido aparece como líder, mas não de uma facção de facínoras
e sim de uma espécie de sindicato de pobres presos torturados.
Antes que todos se esqueçam, na batalha de São Paulo, os
liderados de Marcola eram os vilões. Os heróis foram as vítimas
deles. A tentativa posterior de se aproveitar disso para
exterminar suspeitos depois do massacre é execrável, mas não
pode tornar esquecida essa verdade elementar.
A CPI do Tráfico de Armas queria a todo
custo levar Marcola para depor na Câmara, mas o presidente Aldo
Rebelo (PCdoB-SP) não permitiu. E fez muito bem. Agora pretende
levá-lo para o Fórum da Barra Funda em São Paulo. Antes isso!
Mas devia era ser ouvido em videoconferência, para eliminar os
riscos de fuga de um preso perigoso como ele. A insistência dos
deputados em inquirir pessoalmente o meliante, que já teve até a
candidatura à Presidência lançada na internet por gozadores,
faz crer que os deputados estão mesmo é se comportando como fãs
que fazem questão de conhecer seu ídolo. Afinal, o que o bandido
tem a contar já deve tê-lo feito a promotores e policiais,
perguntadores profissionais?
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