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O rabo do gato
O candidato favorito ao governo de São Paulo, José Serra, do PSDB, declarou que o rabo do gato do PT se esconde sob o tapete com que se tenta encobrir os motivos da ação sangrenta do PCC em São Paulo. Não se dignou apresentar prova alguma para a grave denúncia. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, ameaçou-o processá-lo. Mas o adversário petista na luta pelo comando sobre território paulista nos próximos quatro anos, Aloizio Mercadante, em nome do jogo eleitoral limpo, abafou a polêmica com panos quentes. Das duas uma: ou o tucano é irresponsável a ponto de lançar uma suspeita de tal gravidade para levar vantagem ou o rabo do gato do PT está amarrado em alguma sujeira inconfessável.
Duas mãos da Excelência
O deputado Pastor Amarildo (PSC-TO) protagonizou duas notícias recentes. Segundo a primeira, assinou o projeto feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que estenderá a reserva de mercado para diplomados em cursos superiores de Comunicação a praticamente todos os profissionais que prestem seus serviços em jornais, emissoras de rádio e televisão e portais de notícias na internet. A outra registrou sua presença na lista dos parlamentares com sigilo quebrado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento com a máfia das ambulâncias no escândalo dos sanguessugas. Faz sentido: com uma mão se dilapida o Erário; com a outra, faz-se o possível para manter oculto do contribuinte o furto.
O bárbaro pândego
Contagiante foi o sorriso do latifundiário Bruno Maranhão, chefão do MLST no assalto e depredação das dependências da Câmara dos Deputados, quando foi solto da cadeia pela Justiça Federal, com uma mãozinha da assessoria jurídica do Ministério da Reforma Agrária, e subiu no palanque da reeleição do presidente Lula, sem temer a hipótese aventada de vir a ser expulso da cúpula petista. Também faz sentido: se próceres políticos acusados de receber dinheiro público para apoiar o governo e de pertencer a um esquema de furto de verbas do Orçamento para comprar ambulâncias são recebidos como heróis, por que enxotar um companheiro que se expôs para desmoralizar o poder que representa o povo que paga?
...e Lula não ganhou
Domingo este colunista fez uma palestra para 430 presidentes de sindicatos de empregados de hotéis e outras empresas ligadas a turismo e diversões no congresso da confederação nacional da categoria, em Brasília. Um dos participantes foi recebido com hostilidade pela platéia quando tentou rebater as críticas que fiz à corrupção na gestão petista referindo-se a antecedentes tucanos, como a privatização. Surpreendeu-me ali a constatação de que, ao contrário do que pensamos todos, o presidente ainda não está reeleito. Apesar da empáfia dos petistas e também do esforço que seus adversários têm feito para que Sua Excelência não tenha sequer de disputar o segundo turno contra a dupla chuchu e jiló.
Paralisia do Congresso
O debate sobre essa ajuda comprova que os gestores públicos brasileiros nunca se empenham de fato em resolver os problemas. Conflagrada a crise, com a evidência de suas proporções assustadoras em pleno ano eleitoral, nenhum parlamentar de nenhum partido, do governo ou da oposição, se dignou descer do palanque no qual pretende atrair a atenção e conquistar os votos dos eleitores para propor qualquer providência realista e viável que seja capaz de contribuir, de alguma forma, para propiciar um mínimo de dignidade humana à vida dos presidiários, submetidos aos rigores de um sistema carcerário sub-humano e à brutalidade do comando do PCC. No fim da pior legislatura de todos os tempos, nenhuma voz se alçou para salvar a reputação do Legislativo.
Promessa vazia
Recentemente, em entrevista a um canal de televisão por assinatura, a especialista Julita Lemgruber contou que o programa do PT no qual Luiz Inácio Lula da Silva se apoiou para chegar à Presidência da República em 2002 garantia que jamais em tempo algum num governo petista verbas orçamentárias destinadas à segurança pública seriam contingenciadas. No jargão parlamentar, contingenciar é negar a verba. Mas a gestão lulista contingenciou praticamente todas as verbas destinadas ao setor. E nenhum partido da oposição veio a público denunciar essa quebra de promessa. Isso quer dizer que nem o oportunismo eleiçoeiro injeta nos partidos políticos nacionais a mínima vontade política, traduzida em ação de real interesse e defesa das causas populares.
A múmia paralítica
Mais que a desfaçatez de não cumprir a promessa da campanha anterior, que envolve a integridade física dos brasileiros, chama atenção na postura do presidente a imobilidade. Como se sabe, há tempos o Executivo legisla no lugar do Congresso por meio de Medidas Provisórias. No entanto, nenhuma Medida Provisória emanou do Palácio do Planalto nos últimos dias que pudesse ser interpretada como uma tentativa de interferir nas causas do pânico que assombra o maior colégio eleitoral do País. Mais que a ignorância, a incapacidade e a insensibilidade, demonstradas pela inércia em hora tão errada, impressiona no episódio a burrice. Afinal, qualquer idiota de aldeia seria capaz de calcular os efeitos positivos de uma MP dessas nas pesquisas eleitorais.
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