|
Na
tela, o Che real
Por indicação do cineasta paraibano Ipojuca Pontes, vi o filme
Cidade Perdida, de Andy Garcia. Os críticos estão tratando a obra com desprezo, dando-lhe, no máximo, uma estrela, mas esta é uma injustiça que só pode ser entendida pela simpatia que o velho tirano cubano Fidel Castro ainda desperta nos intelectuais de esquerda. A fita é uma ode lírica e bela, não a um idílico paraíso tropical sacrificado ao ideal revolucionário, mas, sim, a uma pátria tornada proibida por ditadores corruptos ou cruéis. Vale a pena assistir sem preconceito por causa da trilha sonora, do entrecho e da desmistificação de ídolos como Che Guevara, melhor retratado nele que em
Diários de Motocicleta, de Walter Salles.
Controle externo, já!
O sigilo torna o voto punitivo de um parlamentar numa permanente anistia, o que impede o Parlamento de se moralizar e desmoraliza a instituição e a própria democracia. Só isso já justifica sua derrubada imediata. Mas ainda não garante que os membros vips do clube fechado do Congresso passem a punir colegas da corporação como deveriam. O voto aberto para cassar mandatos de deputados e senadores acusados por crimes pode constranger seus julgadores, mas a nada os obriga. Talvez o único instrumento para evitar a impunidade de mensaleiros, sanguessugas e outros tipos destes, que estão longe da extinção, seja a adoção do que já existe para o Judiciário também para o Legislativo: controle externo.
Protesto, não; renúncia
O outro lado da moeda do voto detergente é a falácia que percorre o noticiário eleitoral e a internet, segundo a qual anular o voto é protestar. O voto nulo não é uma ação contra a desmoralização da atividade política, mas a renúncia do eleitor aos próprios poder e dever de escolher mandatários que exercerão o poder com sua autorização – e, mais que isso, em seu nome. A anulação do voto não impede a ascensão dos malfeitores ao poder – e, de certa forma, chega a ajudá-la e até a legitimá-la. A perspectiva de uma onda nacional de votos nulos que anulem o resultado da consulta popular é simplesmente irrealista. Mas, ainda que ela fosse viável, não poderia produzir mais que um impasse incômodo.
Armas em vez de mapas
Mas outra eventual eleição seria realizada dentro de normas idênticas à anulada. E não há perspectiva de que a nova disputa pudesse ser mais seletiva que a anulada. Resta, é claro, a alternativa da ruptura das regras e das instituições. Mas esta certamente não é uma justificativa nobre para o protesto contra a malversação dos recursos públicos, além de não ter antecedentes que autorizem algum tipo de esperança em suas conseqüências positivas. O êxito de golpes do gênero depende de canhões e metralhadoras, nunca de mapas eleitorais. E essas aventuras que põem as instituições de pernas para o ar não costumam pôr termo à roubalheira ou à incompetência, mas apenas a ocultá-las da vista de
todos.
|