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PARA
OS INIMIGOS, BILLY
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Dos auxiliares mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o único que remonta aos tempos heróicos da luta do sindicalismo autêntico do ABC contra a longa noite da ditadura militar é o criminalista Márcio Thomaz Bastos, que foi seu advogado na Justiça Militar. Os outros foram se perdendo no caminho, pois “noço” guia máximo é um seguidor fiel do axioma de Charles de Gaulle, segundo o qual a ingratidão é uma virtude obrigatória num estadista. Na verdade, Lula se tem esforçado mais para ser ingrato que para se firmar como estadista, mas isso não invalida a sabedoria da sentença do líder francês nem deprecia os excepcionais serviços que o causídico tem prestado ao presidente nos últimos três decênios. Por conta deles era natural que tivesse sido nomeado ministro da Justiça e, para ser fiel a isso, o dr. Márcio, que abandonara uma banca que lhe rendia, segundo ele mesmo declarou, US$ 200 mil ao mês, não tem regateado esforços para manter o chefe no lugar e, com isso, assegurar a própria cadeira. Para entender bem como funciona essa equação, basta ver como tem funcionado a Polícia Federal (PF) sob seu comando: é rápida como o garoto Billy o era no Velho Oeste americano quando se trata de desbaratar quadrilhas de criminosos de colarinho branco fáceis de apanhar em longínquos Estados do Norte e Nordeste,
mas de uma lerdeza ímpar quando se trata de devendar podres de gente próxima dos poderosos. Até hoje, a PF do dr. Márcio não conseguiu produzir uma investigação decente sobre o achaque de Waldomiro Diniz, ex-companheiro de quarto de José Dirceu nem sobre as alegres noitadas de belas mulheres e malas cheias de Antônio Palocci na mansão suspeita chamada de República de Ribeirão Preto. E até agora não revelou quem está por trás do dossiê falso de petistas contra tucanos.
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E para os amigos, proteção
Quem não se lembra da rapidez com que, na presença de um assessor do dr. Márcio, o então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, atendeu ao pedido de um colega de primeiro escalão do dr. Márcio, o dr. Palocci, para quebrar o sigilo bancário do pobre caseiro Francenildo Santos Costa, o Nildo? E ainda da forma como a conta da testemunha da freqüência de Sua Excelência à mansão suspeita foi rapidamente entregue a um repórter da Época, não por acaso filho do assessor de imprensa do referido figurão? Todos, então, devem estranhar que essa eficiência não se repita na investigação contra o ex-ministro, que será deputado federal na próxima legislatura. Ou seja: na República do PT, mais vale um mau companheiro vale que um bom caseiro?
Cadê os mandantes?
A mesma operação tartaruga que acoberta Waldomiro Diniz e Antônio Palocci está sendo usada na investigação da compra do dossiê falso contra os tucanos por petistas que o presidente chamou de “aloprados”, entre os quais o presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini. Valdebran Padilha, Gedimar Passos e Freud Godoy, os operadores da lambança, são bodes expiatórios fáceis. O churrasqueiro preferencial da Granja do Torto, Jorge Lorenzetti, poderá vir a assumir a responsabilidade pelo crime, mas nem a Velhinha de Taubaté, se viva fora, acreditaria que um assunto dessa gravidade e com tanto dinheiro fosse comandado por essa arraia miúda. O dr. Márcio disse que a PF dele estava perto da solução, mas o tempo passa e nada dos donos do chiqueiro.
E a pista do tutu?
O dr. Márcio deve ter lido o livro Todos os homens do
presidente. Se não leu, na certa viu o filme. Então, ele não ignora o conselho que a “fonte secreta” dos repórteres do
New York Times Bob Woodward e Carl Bernstein, conhecida como
Deep Throat e só recentemente identificada, lhes deu. “Follow the
money” (“Siga o dinheiro”), ele disse a Woodward. E foi na trilha da origem do dinheiro que pagou os arrombadores do escritório do candidato democrata George Mc Govern que os repórteres chegaram à quadrilha na Casa Branca e derrubaram o presidente americano que acabou com a guerra do Vietnam, Richard Nixon. Se a PF do dr. Márcio achou a pista do tutu, não a revela. Aliás, o conselho do “Garganta Profunda” serve para o mensalão, os sanguessugas...
A dupla Márcio e Mantega
Os bancos são obrigados a reportar automaticamente ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda quaisquer movimentações de R$ 100 mil. Os burocratas sob as ordens do dr. Mantega informaram aos colegas da PF que só identificaram a providência de R$ 25 mil (do total de R$ 1,16 milhão e US$ 248,8 mil), prometendo o resultado da investigação para depois da eleição. Como isso significa 17 vezes R$ 100 mil, só resta a hipótese de que os zelosos servidores do Coaf receberam ordens para evitar que a divulgação da origem do dinheiro usado para pagar o dossiê falso prejudique a reeleição de Lula e, com isso, a permanência de Mantega e Márcio em suas boas boquinhas.
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Palavra de Gil
Entre um
show e outro, pelos quais recebe o triplo do cachê que ganhava antes de pertencer ao primeiro escalão do governo federal e que tem apresentado com a freqüência de antes, não repetida na repartição burocrática à qual deveria comparecer, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, fez uma declaração realista e sensata sobre a tragédia da corrupção no Brasil: “A prática é sistêmica e ainda que seja condenada acaba aceita pela sociedade”. Trata-se de um diagnóstico digno do pensador que me propôs, certa feita, criar um movimento chamado Pensamento Popular Brasileiro. Ele só se esqueceu da evidência de que, não sendo benéfica, mas condenável, a prática deve ser banida no governo e na sociedade.
Não, Sartre, não!
Sempre disposta a servir ao chefão, responsável pela própria boquinha, na forma de emprego ou subsídio, a intelectualidade de esquerda produz pérolas como a do filósofo Renato Janine Ribeiro, da USP, que já foi respeitado por seus conhecimentos sobre o filósofo britânico Thomas Hobbes. Ao condenar a imprensa, como o chefe Lula, o acadêmico disse que o ator Paulo Betti, que justificou a corrupção como algo inevitável na política, apenas “citou uma peça de Sartre”,
Les mains sales (As mãos sujas). O filósofo e o ator não têm ido ao teatro ultimamente. Sartre não tem nada que ver com mensalão, sanguessuga, dossiê falso. Apesar de o título sugerir isso, a obra não versa sobre essa corrupção aí.
Primeiro o rango
A citação certa não seria a do título do pai do existencialismo, mas de outro autor de preferência da
intelligentsia (não seria o caso de dizer burritsia?) nacional: o poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht. Sem querer esnobar a dupla Betti e Janine, a citação vai em alemão:
“Erst kommt das fressen, dann kmommt die moral”. Em bom vernáculo, traduz-se assim: “Primeiro vem o rango, depois vem a moral”. Trata-se de um lema perfeito para traduzir a subserviência de gente como essa e também para servir de epígrafe a uma eleição na qual o voto decisivo não será dos intelectuais capachos, mas do povão faminto que se nutre das migalhas que eles lhes jogam das próprias boquinhas via Bolsa-Família.
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DR.
SEVERINO BEZERRA DE CARVALHO
Nesta quadra de nossas vidas, na qual os covardes viram heróis e os bravos são perseguidos, urge chamar a atenção para o médico campinense, que se destacou a vida inteira pela competência e pela franqueza, retratada em seu livro
Memórias de Casmurrindo Vespa. A coragem de evitar que os esbirros da ditadura impedissem alunos malquistos pelo regime militar de freqüentar a Faculdade de Medicina de Campina Grande, que ele dirigia à época, é um exemplo de como age um homem de bem sob um mau governo.
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