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Beicinho
de criança mimada
O que ocorreu domingo não é novo, pois Lula nunca gostou mesmo
de ser contrariado. Sempre que algo semelhante lhe ocorre, fica
amuado e faz beicinho com facilidade. Sua primeira reação, como
no susto que tomou com a agressividade de Alckmin no debate, é de
estupefação: ele custa a crer que alguém ouse desafiá-lo. Isso
definitivamente não faz parte de seu temperamento. Age como se
fosse uma criança mimada, habituada ao afago e à bajulação.
Anos de exercício do mando sem contestação no sindicato, no
Partido dos Trabalhadores e agora na presidência da República o
treinaram para receber o elogio com naturalidade e a crítica com
arrogância, desdém, destempero. Este é um de seus defeitos no
exercício do poder. Por isso, reagiu tão mal neste caso.
Um tom acima
Alguns especialistas isentos têm alertado que nem sempre vencer
um debate de forma acintosa resulta em bons dividendos nas urnas.
É improvável que só a superioridade de Alckmin no domingo
inverta a tendência, que permanece favorável ao adversário
petista. Diz-se que, por falta de prática, o candidato tucano
bateu mais do que devia, podendo ter transformado o oponente em mártir
aos olhos benevolentes do eleitor. Por isso, a reação irritada e
prepotente do presidente e de seus aliados ao longo da semana não
faz nenhum sentido. O pânico mostrado por Lula na reta final do
primeiro turno e seus arrufos nos prolegômenos do segundo denotam
uma preocupação nas raias do desespero, que não reflete os índices
das pesquisas que revelam seu favoritismo.
As
portas da cadeia
Para justificar seu escasso conhecimento sobre o desenrolar
das investigações da Polícia Federal, com a ajuda do Coaf do
Ministério da Fazenda, todos órgãos sob seu comando, Lula disse
que ele não é um “delegado de porta de cadeia”. Como
qualquer bom policial deve atuar perto de uma porta de cadeia,
embora do lado de fora, muita gente atribuiu esta rata às
habituais dificuldades do chefe do governo com o vernáculo. Mas
talvez ele tenha querido prestar uma homenagem subliminar ao
ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que, no cargo, abriu
mão de sua condição de ilustre criminalista para se comportar
como “advogado de porta de cadeia” de membros do PT e do
governo, que delinqüem com freqüência e tranqüilidade, porque
têm as costas largas.
Quase
dois milhões de notas
Também é totalmente estapafúrdia a reação retardada do
candidato à reeleição, ao destilar sua revolta contra a insistência
com que o ex-governador paulista cobrou dele explicações sobre o
falso dossiê contra os tucanos, preparado por companheiros
petistas por ele próprio acusados de serem “aloprados”. Essa
insistência, aliás, nunca deveria ser comparada com o Samba de
uma nota só, de Tom Jobim, como se queixou Sua Excelência depois
do debate, até porque a bomba suicida da “cumpanheirada”
custou uma quantia equivalente a um milhão e 750 mil notas de um
real. Mesmo não tendo sido um aluno modelo de matemática, o
presidente deveria saber a diferença entre uma nota só e quase
dois milhões delas.
É
mesmo de doer!
O professor Paulo Ghiraldelli Jr,, que agora empresta seu
talento à Business School de São Paulo, continua fazendo sua
pregação (nada solitária, aliás) a favor do voto nulo no
segundo turno desta eleição presidencial. Ele escreveu aos
leitores de seu blog, “O filósofo de São Paulo”, nunca ter
visto candidatos tão despreparados para a Presidência da República
quanto os que se enfrentaram domingo no debate da Band. Já
polemizei com o mestre, por considerar o voto nulo uma renúncia
inaceitável do eleitor a sua responsabilidade de decidir. Mas
tenho de reconhecer, justiça seja feita, que esta campanha tem
sido de uma indigência mental de dar dó e fazer vergonha a
qualquer brasileiro inteligente.
Bomba de efeito moral
Os
testes nucleares subterrâneos de domingo, usados como sucedâneos
dos fogos de artifício para comemorar o aniversário do ditador
norte-coreano Kim Jong-il, são mais uma trágica demonstração
de que a humanidade não parece aprender com seus erros mais terríveis.
O fogo de barreira que a inócua ONU e mesmo o patrão americano têm
tentado usar para enfrentar esses desafios abertos do tirano
herdeiro da tirania comunista do pai se tem provado inócuo. Como
foram as tentativas diplomáticas de deter o rearmamento alemão,
a anexação da Áustria e a invasão da Polônia, preliminares
das sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial. O coreano não
é Hitler, mas precisa ser detido antes que tente sê-lo.
Contra o caos
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, está disposto a provar
que não assumiu a responsabilidade de administrar o maior município
do País somente para preencher a lacuna aberta com a saída do
titular da chapa vencedora em 2004, José Serra, para disputar (e
vencer) o governo de São Paulo. Conseguiu aprovação da Câmara
para mandar retirar até o último dia deste ano toda propaganda
visual que torna a visão da cidade que administra feia e caótica.
Além de ousada, a medida é polêmica, inovadora e original. Por
mais difícil que seja sua execução, ela é uma tentativa válida
de provar que é possível governar tendo o bem comum, e não o
interesse de investidores privados, como alvo. Oxalá dê certo!
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