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José Nêumanne
Dailor Varela nasceu em Anápolis (GO), criou-se na Swinging
London do Nordeste, a Natal (RN) de seus pais, Raul e Floripes,
passou por São Paulo e São José dos Campos e vive em Monteiro
Lobato. O lugar é adequado, não por se referir ao ilustre
colega, mas, sim, porque ali pode exercer em sua plenitude,
respirando o ar rarefeito da serra e bebendo água da bica, sua
real vocação: o eremita da Mantiqueira cultiva a solidão, como
raros. Ao contemplar o verde dos bosques ao redor, não se perde
em divagações, mas segue o exemplo de São Jerônimo fazendo
milagres de palavras: De seus dedos longos brotam regatos de
versos e crescem palmeiras de poemas. O taumaturgo Santo Daí
obra, no Vale do Paraíba, maravilhas com a novelha língua de
Camões, Machado e Eça, assim como já os operou com poemas
visuais de vanguarda no tempo do poema/processo. O roqueiro
Dailove imprime ritmos sutis aos percursos verbais, da mesma
forma como, nos sweet sixties, desconstruiu logomarcas
para torná-las signos de uma nova linguagem, o código pelo qual
se comunicavam os Beatles, os Rolling Stones e os Quatro Loucos
de João Pessoa, ao som da guitarra de Zé Ramalho. Debaixo dos
caracóis de seus cabelos quando negros foram cultivados sonhos e
senhas. O poeta popular Pinto Varela canta o amor que praticou e
o que nem experimentou; as batalhas a que compareceu e aquelas
das quais se absteve; causos, calços e percalços da vida breve e
mistérios dolorosos e gozosos da arte longa. O pai de Maíra
salpica o sêmen de seu talento e polvilha o pólen de seu
conhecimento nas alturas às quais chega sem descolar os pés do
chão de Diadorim, Macunaíma, Bentinho, Câmara Cascudo e Nossa
Senhora Aparecida. Apois...

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Texto publicado no livro
Elias, uma travessia de amor na gastronomia de todos os tempos,
de Odacy de Brito Silva e Dailor Varela, — Editora Observação
Jurídica e Literária — no qual o poeta Dailor Varela presta uma homenagem à reabertura do
tradicional Bar do Elias, nas proximidades do campo do Palmeiras, no
Parque Antarctica, em São Paulo. |