TROVA E VÍDEOS

Uma trova de Ajalmar  (*)

 

Dizer que "cala", tu ousas
Num "silêncio" barulhento
Nessa verve que repousa
No topo da eloquência
Precisa ter paciência
Bicho, como tu falas!!!!

 

 

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(*) Ajalmar é dentista e compositor de forró de Campina Grande

ASSISTA NO CANAL DA ESTAÇÃO NÊUMANNE NO YOUTUBE A VÍDEOS DA SOLENIDADE DE ENTREGA DO PRÊMIO JOSÉ ERMÍRIClique aqui!O DE MORAES CONCEDIDO AO ROMANCE "O SILÊNCIO DO DELATOR". RIO DE JANEIRO, 25 DE AGOSTO DE 2005

A BÊNÇÃO, MAESTRO. Poema em homenagem a SIVUCA. Clique Aqui!

 

"A primeira coisa que me ocorre lhes dizer, amigas e amigos meus, cuja presença aqui me prestigia e desvanece, é o primeiro verso de um soneto - o único poema que sei de cor. E nem meu é! Mas, se querem saber, é como se fosse, tantos anos o tenho repetido, tantas vezes dele me tenho lembrado e tantas noites são aquelas em que ele tem percutido dentro de minha cabeça como um mantra, a oração escandida por um anjo. “Meu coração tem catedrais imensas.” É isso mesmo: a abertura de “Vandalismo”, de Augusto dos Anjos, nascido na Paraíba como eu e morto em Minas, como tantos ancestrais de muitos dos que aqui pacientemente me escutam. Este verso me encanta pelo ritmo das sílabas, pela música da linguagem, pela força da imagem. É grandioso e é singelo, ao mesmo tempo, como devem ser as obras-primas: sólido e delicado, másculo e meigo, etéreo e prático. (...)

Muitos podem ser os motivos para que com ele abra este agradecimento feito na condição que ainda me espanta de autor do romance O silêncio do delator, laureado pelos membros desta Casa, que Machado de Assis, do Cosme Velho, e Joaquim Nabuco, de Massangana, fundaram e cujo espírito todos os acadêmicos presentes e ausentes têm renovado, em benefício da cultura nacional, em seu ameno e profícuo convívio em torno da mesa de chá. Mas gostaria de destacar uma só, a mais simples, a mais direta, a mais prosaica de todas: a correspondência com o sentimento de humildade e reconhecimento, de gratidão e despojamento com que aqui venho me investir desta honraria, a maior que poderia ser dada a um imodesto operário da língua, seu súdito vaidoso, embora nem por isso infiel. Pois reivindico minha condição de fiel para lhes garantir que me dirijo a cada um dos acadêmicos e convidados aqui presentes com a humildade de um peregrino em Meca, o ânimo caridoso do soldado romano que umedeceu os lábios secos de Jesus na cruz e o estoicismo de Gandhi e Martin Luther King acolhendo as balas que lhes ceifaram a vida. Entro nesta sala tirando os sapatos para me sentar à mesa, à moda japonesa. Como um romeiro sobe as escadas de pedra de Monte Santo, perto de Canudos, no sertão da Bahia, lacerando as rótulas. Sou um cruzado da palavra, um guerreiro do vernáculo e venho aqui para convocá-los à luta, luta renhida, heterônimo da vida no canto do guerreiro indígena do poema de Gonçalves Dias.

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O silêncio do delator, que mereceu a honra desta premiação, é um projeto literário no qual reuni todos os valores que aqui venho defender. Relato dos malogros e êxitos de minha geração , este romance não faz nenhuma concessão a modismos ideológicos ou mercadológicos. Ao contrário: elaborado ao longo de vinte anos, seu texto aborda com franqueza, mas também com verve e leveza, a experiência de vida e reflete a visão do autor, sem autocomiseração nem leniência com as facilidades exibidas na feira de vaidades de nossa sociedade de massas e consumo. "

 

Fragmento do discurso de José Nêumanne Pinto, durante a solenidade de entrega do Prêmio José Ermírio de Moraes, pelo romance O silêncio do delator. No Youtube, o discurso completo.

 

Leia o artigo memorialista de José Nêumanne Pinto escrito para revista Uiraúna : "Sacos de picolé e a sorveteria que derreteu" Clique aqui!

 

 

 

 

 

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