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lido durante o encontro com Nêumanne, na Bienal Nacional da Paraíba, domingo, 21.05.2006
há dois Nêumanne em uma só pessoa
um é outro de si. Um é garoa,
outro é névoa sem cinza, peregrina.
Um em terno e gravata vem à tona
Outro ri sobre as ruas de Campina
Um se vê nos vitrais de Barcelona.
Há dois Nêumanne em um só desespero,
um escriba. Outro um quase violeiro,
um em penas: redoma da rotina
outro de Uiraúna, não se clona
este um com miopia tem Campina
esculpida num ocaso em Barcelona
há dois Nêumanne e apenas um respiro
uma parte pondera outra (de)lira
um cavalga canções o outro opina
um sisudo se assina o outro zona
um é beco que borda uma Campina
terminando numa igreja em Barcelona
há dois Nêumanne e uma geografia
um é lobo de si, outro é poesia
um é Ícaro e longe estaciona
outro é Sísifo e sua sendo sina
um trancou no infinito uma Campina
que brincava de Deus em Barcelona
há dois Nêumanne: um vai, por isso fica
um escreve e o outro se publica
- eles se cumprimentam. Um é lona,
outro é loa, um é légua outro é sextina,
um morreu de saudades em Campina
para ressuscitar em Barcelona
há dois Nêumanne e o tempo aos dois encarde
um é novo é açude, o outro é tarde,
avenidas que no meu verso enjaulo
um é lauda outro é lenda. Eis o problema
a brindar Barcelona e Borborema
estes dois são um só porque São Paulo.
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