Momento de Poesia em Liberal 

 

 

 

Da poesia de José Nêumamme Pinto dir-se-á que soa a novidade, como se testemunha com esta “seara” onde a língua portuguesa é pão comum a povos de diferentes continentes – um mimo

 

© Jornal Liberal, Cabo Verde, 28 março de 2006, 08:26h

 

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Praia, 28 Março – Jornalista e editorialista em importantes jornais brasileiros, como O Estado de S. Paulo (o celebrado “estadão”), comentarista da tv, José Nêumanne Pinto é um dos surpreendentes poetas que se lêem no Brasil. Como romancista, escreveu “O Silêncio do Delator”, por muitos considerado o “romance de uma geração”, que lhe justificou o Prémio “José Ermírio de Morais” que lhe foi atribuído pela Academia Brasileira de Letras. Da sua poesia, dir-se-á que soa a novidade, como se testemunha com esta “seara” onde a língua portuguesa é pão comum a povos de diferentes continentes – um mimo


A SEARA DE SARAMAGO


Esta língua é minha semente,

machado de mulato do morro,

pátria de poeta lisboeta. 


Esta língua é minha visão,

o sol do soldado caolho,

a mão do soldado maneta.


Esta língua é minha música,

na palavra do padre pregador,

no pássaro do padre voador.


Esta língua é minha mulher

tem cuidados de mãe

no leito da amante.


Esta língua é minha rosa,

tem perfume dos sertões gerais,

tem sabor de vinhos do Porto.


Esta língua é meu cavalo

para subir cidades e serras,

que a brisa do Brasil beija e balança.


Esta língua é fel com mel,

cantigas a palo seco

de ninar o futuro.


Esta língua é meu coração,

na tortura, na paixão

e no sal amargo da purificação.


Esta língua é jóia africana,

ela caça a onça caetana,

ela cruza a légua tirana.


Esta língua é fruto de meu ventre,

mata sede de amizade,

me arma nos bons combates.


Esta língua não é de viver,

língua de navegar e de lamber

e de dançar o tango argentino.


Esta língua é meu berço,

esta língua me conhece, 

esta língua é meu caixão.


José Nêumanne Pinto

Recém-premiado na Academia Brasileira de Letras com o Prêmio "José Ermírio de Morais", Nêumanne, como ninguém desconhece, é o elogiadíssimo Autor de O silêncio do delator, "romance de nossa geração". É também poeta de mão cheia, com vários livros e CDs já lançados.

Sobre Nêumanne, que no fim do mês estará revisitando a Paraíba, ainda se poderia dizer um monte de coisas mais, inclusive por ser aquela grande figura humana, com uma legião de amigos Brasil afora — sem esquecermos Uiraúna, onde nasceu, e Campina Grande, onde primeiro trabalhou como jornalista.

Para conhecê-lo melhor, e à sua obra, clique nestes links (se algum link teimar em não ser clicável — coisa comum no doudo mundo da Informática! —, não há problema, porque V. sempre pode copiar a linha de link com o mouse e "pregá-la" lá em cima, na linha de endereços do Mozilla Firefox ou do Internet Explorer):

www.neumanne.com.br

 

Ouça o poema A Seara de Saramago, na voz do poeta.  Clique na url abaixo e aguarde carregar o arquivo em MP3

 

 

2006

 

Encontro com Nêumanne , o analista político

 

Palestras mais recentes:

 

Palestra de Nêumanne sobre o panorama político nacional: para os membros do sindicato das empresas Petroquímicas, em Mauá, na Grande São Paulo; para a alta diretoria da Suzano Petroquímicapara; o congresso da Officer, onde já esteve como um dos palestrantes, em 2005. 

 

A seguir:

 

Em abril: 19 (quarta-feira) - 9h - Hotel Sofitel - SP 
Palestra de Nêumanne sobre o panorama político nacional, para uma convenção do Açúcar Guarany

 

Contatos:

 

Fone: 0 (...) 11 - 3258.8878

 

E-mail: neumanne@neumanne.com

   
   
 

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde e autor de O silêncio do delator, prêmio Senador José Ermírio de Morais, da Academia Brasileira de Letras, em 2005. Clique na capa para ter acesso à livraria virtual.

Obras do jornalismo de ficção e biografia: Mengele: A natureza do mal. São Paulo: EMW, 1985, romance-reportagem; Atrás do palanque: Bastidores da eleição presidencial de 1989. São Paulo: Siciliano, 1989, reportagem; Reféns do passado. São Paulo: Siciliano, 1992, artigos e ensaios políticos; Erundina: A mulher que veio com a chuva. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1989, perfil biográfico; A república na lama: Uma tragédia brasileira.São Paulo: Geração Editorial, 1992.

 

 

 

 

 

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