O SILÊNCIO DO DELATOR

               Rômulo Azevedo

   

          Finalmente foi lançado na Paraíba o novo livro do jornalista/escritor/poeta José Nêumanne Pinto. 

          Paraibano de Uiraúna, o autor viveu uma boa parte da vida dele em Campina Grande, cidade que lhe deu régua e compasso para se tornar um dos mais prestigiados jornalistas do nosso torrão. 

           Não vou tecer nenhum comentário crítico sobre o livro, até porque os melhores críticos do país já o fizeram, colocando o livro de Nêumanne lá nas alturas do Olimpo literário brasileiro. 

          O livro é um grande barato, a começar pela capa, uma bela homenagem ao antológico “Sargent Peper`s” (sargento Pepé na tradução irônica do autor) dos Beatles, o disco que mudou a face da música pop em todo o mundo. 

         E por falar em música, a “trilha sonora” do livro é espetacular, acho até que deveria acompanhar o volume um cd triplo com todas as músicas citadas na cinematográfica narrativa de Zé Nêumanne. 

         E também por falar em cinema, a filmografia citada durante a história é uma maravilha, coisa pra deixar qualquer cinéfilo babando. 

             Aliás, a formação intelectual do escritor começa com o cinema, pois Nêumanne foi um cineclubista dos bons tendo fundado e dirigido em Campina Grande –em 1967– o cineclube Glauber Rocha (juntamente com a namorada Regina, Agnaldo Almeida, Iremar Maciel de Brito, Arnaldo, Adalberto Ribeiro e muitos outros) que rivalizava com o cineclube de Campina Grande que eu fazia parte juntamente com Braulio Tavares, Romero Azevêdo, Luís Custódio, os irmãos Jackson e Marcos Agra e outros. O Glauber Rocha era os “Stones” e o Campina Grande os “Beatles”(isto porque eles eram bem mais assanhados do que nós!). 

              “O silêncio do delator” é uma espécie de inventário dessa geração que sonhou mudar o mundo com idéias/livros/filmes/peças/pinturas e músicas, a partir da década de 1960. 

              É livro de leitura obrigatório para quem viveu essa época e sobretudo para quem ainda nem sequer tinha nascido quando o mundo começava a ser virado de cabeça pra baixo. 

            Zé Nêumanne era uma figura emblemática com aquele esqueleto grandão e os óculos de lentes grossas que lembravam a figura sinistra do Dr. Silvana o arquiinimigo do Capitão Marvel. 

          Um detalhe para quem ainda não leu o livro, as cenas de sexo são descritas com uma eficiência que poucos conseguem sem cair na pornografia barata ou nos maneirismos sexuais. Obra de mestre. 

           Não pude comparecer ao lançamento do livro ontem em João Pessoa, mas aqui faço um convite/protesto ao autor para que venha lançar a obra em Campina Grande na quentura do Maior São João do Mundo. 

Estamos todos aguardando sua presença no topo da Serra da Borborema! 



    

     © Jornal da Paraíba, sábado, 04.06.2005, página 3 do caderno Vida/Geral



   
   
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