O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus: este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi (Lucas, 1, 30-32)

 

 

 

 

Vieste dizer que vinha o Sol

e veio o galo cantar três vezes

só para negar o Menino;

viajaste nas nuvens

para que chovesse

e uma tempestade de pó

cobriu plantas, casas e animais

com um manto seco e sinistro;

carregaste bênçãos em teu bornal

e a serpente da maldição

nelas se escondeu;

deste conta de graças

e a desgraça as acompanhou,

à sorrelfa;

contaste à Virgem

que seu Bebê obraria maravilhas

e Seus irmãos O executaram,

de tocaia;

trouxeste a boa nova

de um Pai severo

e a Mãe se derreteu

em gozo e delícia,

mas a desmancharam

em pranto e cólicas.



Ainda assim, o fogo que ateaste

fez arder a sarça

e alumiou a noite escura;

e o amor que anunciaste

deu rumo a um rebanho tresmalhado 

e civilizou uma raça de bárbaros.



Volta, Arcanjo,

desce e entrega

novas propostas de paz

e cartas com letras de luz.

Canta hinos de encantar a vida

para espantar a morte

e faz brotar do imprevisto deserto

e mesmo do impossível mar,

que não virou sertão,

algo que se possa chamar de futuro.


(Poema inédito, voz do autor.

Ilustração: Alessandro di Mariano Filipepi, mais conhecido como Sandro Botticelli [Florença, 1º de março de 1445 – 17 de maio de 1510), foi um pintor italiano da Escola Florentina.]. Imagem gentilmente enviada pelo poeta Anderson Braga Horta para Nêumanne)

 

 

 

 

 

 

 
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