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Affonso Romano de Sant'Anna
Quem viveu os míticos anos 60 vai ler com prazer “O silêncio do delator”, de José Nêumanne. Usando a técnica de fragmentos e fazendo falar um narrador já morto, de maneira leve e irônica refaz uma época que outros trataram apenas pateticamente. No meio dessa ficção que se faz hoje cheia de balas, assassinatos, perversões e morbidez, chega a ser um alívio ler esse livro. É como ouvir uma lépida canção de bossa nova depois de um tango pesado.
Lembram-se do filme “Invasões bárbaras”, de Denys Arcand, aliás mencionado no livro? É o que há de mais próximo para lhes passar a idéia do livro de Nêumanne que realizou, de modo original, aquilo que tantos tentaram — “o romance de minha geração”. |