| |
|
|
O
jornalista Reinaldo Azevedo é uma exceção em sua classe. Ele
não se deixa ofuscar pela luz dos holofotes e resgata dos porões
escuros para onde são relegados pelos jardineiros do óbvio
acomodado flores belas e perfumadas da arte e da cultura e temas
do cotidiano da política e da economia condenados pelos
parasitas do ódio à diversidade e à clarividência. Este
livro contém parte de seus textos produzidos para as revistas Bravo
e Primeira Leitura em
que sua erudição, rara num ambiente onde se acumpliciam a
ignorância e a arrogância, é distribuída sem parcimônia a
quem se interessar em adquirir conhecimento. Seu espírito
tolerante denuncia o totalitarismo rastaqüera e suas formas de
dominação, que vão do sociologismo da crítica literária à
prepotência travestida de bom mocismo no convívio social e nas
relações políticas. Estes textos, na periodicidade perecível
das revistas ou nesta precária reunião em livro, são leitura
obrigatória para quem não aceita passivamente o orgulho que os
parvos sentem da própria estupidez nem o jugo à banalidade e
à vulgaridade no mercado de pulgas do “bundalelê” vendido
como papa fina pela cultura populista submetida aos piratas do
capitalismo selvagem travestido de demagogia socialista nem
muito menos a esterilização das instituições pela tacanha
severinice petelha vigente. Não há lugar comum nem patrulha
que lhe escapem à lâmina afiada do anátema preciso, impiedoso
e procedente. O admirador da prosa enxuta e exata de Graciliano
Ramos não perdoa o modismo que entroniza a obra barroca e
deslumbrante, mas pouco lida e ainda menos absorvida, de Guimarães
Rosa (a coincidência das iniciais dos nomes dos grandes
escritores brasileiros torna a polêmica mais instigante) no
altar-mor das letras pátrias. Sua notória preferência por
anti-heróis leva-o a comparar nosso romântico precoce Álvares
de Azevedo com Arthur Rimbaud... e dando vantagem a nosso poeta
sobre o francês. E essa vocação de navegador contra as
correntes o conduz a corredeiras de grande risco, como as que
enfrenta ao exumar o cadáver insepulto do extinto ainda jovem
poeta piauiense Mário Faustino, contrapondo sua obra fina e
fecunda, ainda que quase anônima, contra a esterilidade
ululante da vanguarda concretista paulista, que leva ao delírio
os basbaques fanáticos de pirotecnia fátua. Da mesma maneira
como delata, sem medo de contrariar interesses cristalizados da intelligentsia
cult, preconceitos sólidos,
caso do nunca justificado a contento “pré-modernismo” que
condenou um gênio como Monteiro Lobato a uma espécie de purgatório:
entre o Paraíso da jeunesse
dorée da Semana de Arte Moderna e o Inferno a que foram
cruelmente relegadas jóias da literatura parnasiana por preguiça,
comodismo e falta de caráter (aqui não no sentido “macunaímico”
do termo). O autor deste livro é um agnóstico contra
igrejinhas literárias, um inimigo anarquista da ordem
estabelecida de quem chafurda o pântano do poder político e
cultural (que antes prometia drenar). E um cowboy
justiceiro, que usa sua pistola de repetição de argumentos balísticos
para executar a cretinice reinante no universo de “amém, sim,
sinhô” da academia estruturalista e da imprensa
semi-alfabetizada, que faz do besteirol marqueteiro de Michael
Moore signo da sã rebeldia. E também para trazer de volta ao
reino dos vivos reputações assassinadas pela mistura de ignorância
e má-fé que tornou um cineasta como Walter Hugo Khoury vítima
fatal da própria competência.
|
|
|
|
| |
|
|
De acordo com a
legislação em vigor, esta mensagem não pode ser considerada
SPAM por possuir: identificação do remetente; descrição
clara do conteúdo; e opção de remoção. Se você não deseja
mais receber mensagens como estas, envie-nos novo e-mail,
colocando em ASSUNTO, a palavra RETIRAR. Webmaster: estacao@neumanne.com.br
|
|
|
|