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Política externa de Lula garante levar em
conta a autonomia das ditaduras em Cuba e Guiné Equatorial,
mas quer forçar democracia de Honduras a conviver com o
amigo Zelaya
O diplomata Celso Amorim não veio à vida a passeio, mas a
serviço, e não de somente um, mas de quantos senhores puder
dispor para seu conforto. Por isso, foi presidente da
Embrafilme de um governo da ditadura militar. Depois da
queda do regime autoritário, tendo sido escolhido para
ocupar por duas vezes o posto máximo de sua carreira
profissional, porém, passou a se dizer um membro da esquerda
derrotada pelos militares, mas enfim agora vitoriosa. Na
chancelaria do governo-tampão de Itamar Franco e nas duas
gestões da república lulista, ele tornou sua postura
ambígua, de dois pesos e duas medidas, a efígie do Brasil
lúmpen que se aproximou do poder com Severino Cavalcanti e
dele se apoderou com o metalúrgico de Caetés e São Bernardo
do Campo. Ao se tornar ideólogo da real politik petista,
confundiu pragmatismo com conveniência, Max Weber com Renan
Calheiros, Jesus Cristo com Zé Buchudo.
O melhor exemplo do cinismo dessa adoção da “oportunosa
ensancha” como rumo de política externa é o contraste entre
a intervenção estúpida do Brasil ao afrontar a soberania de
Honduras e a indiferença do governo federal à morte de um
dissidente em greve de fome em Cuba e à ostentação do
relógio de ouro e brilhantes do ditador Nguema Mbasogo, que
Lula foi visitar na África. Os 50 anos de tirania castrista
na ilha caribenha e a brutalidade da ditadura de 31 na Guiné
Equatorial são aceitos pelo Brasil em nome da autonomia
soberana de sua boa gente. Impor o indesejável Mel Zelaya à
Honduras democrática manifesta vigorosa repulsa ao golpismo.
Para Cuba e Guiné Equatorial Celso Amorim aplica um conceito
com o qual se dispõe a calar a “pregação moralista” dos
jornais que se referiram aos crimes contra os direitos
humanos cometidos pelo déspota visitado: “Quem resolve o
problema de cada país é o povo de cada país.” Só que esse
lema autonomista não justifica a condição imposta pelo
Brasil ao governo democrático instalado em Tegucigalpa de só
manter relações cordiais com ele se receber o escorraçado
Zelaya de volta ao lar.
Caixeiro viajante transoceânico e intercontinental,
encarnação do realismo de seu chanceler - “negócios são
negócios” -, Lula peregrina entre chefes tribais africanos
cuidando de missões injustificáveis como incluir um país
fundado por franceses e colonizado por espanhóis na
comunidade lusófona. Duas questões restam sem resposta.
Quantos empregos serão criados no Brasil em troca do
presente que levou ao tiranete: nossa língua materna, a
última flor do Lácio que ele próprio nunca adubou nem regou?
Por que os democratas hondurenhos não podem usufruir a
autonomia com que ele regala Fidel e Mbasogo?
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