A opinião de
José Nêumanne 
Editorialista do Jornal da Tarde

 

 

Recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos ensinou que, às vezes, “a violência é uma questão de sobrevivência”. Sua Excelência gosta de umas parábolas, não direi bíblicas, para não ofender o estilo dos evangelistas, mas quase todas meio enigmáticas, como convém a um gênio da comunicação com o povo da rua, que é o caso dele. Esta, de fato, mais parece uma charada rimada que propriamente uma fábula. Seja o que for, seja como for, com rima e tudo, ela é uma bofetada. Pois, mais uma vez, como sempre quando um populista de esquerda fala, isso soa como justificativa do dedo que aperta o gatilho, e não como um jeito compassivo de pensar a ferida que sangra ou mesmo de afagar o parente da vítima, enxugar sua lágrima e lhe dar alguma razão para ainda acreditar na justiça dos homens e no Estado.
           Será que a bala que paralisa os membros de Priscila Aprígio, de 13 anos, ferida num entrevero entre bandidos e policiais na porta de um banco garantiu a vida de seu atirador? É claro que, quando alguém lê uma frase infeliz, como a do presidente escolhido direta e soberanamente por milhões de brasileiros, apenas mais um palpite sem nexo no meio de uma porção deles, pensa logo no risco à vida das vítimas. Mas é preciso pensar também no destino dos milhões de brasileiros que comem o pão amassado pelo diabo para sobreviver sem recorrer à violência: eles elegem os cidadãos para a gestão dos negócios públicos e são obrigados a tomar conhecimento diariamente da luta que estes travam para que seja natural o direito dos que usam a violência como meio de vida, e não o de quem ganha a vida com o suor pacífico.

© Jornal da Tarde, terça-feira, 06 de março de 2007.
imprimir este artigo | Indicar a página para amigos

Encontros com Nêumanne, contato:

Francisco Mendes, A Girafa Editora, Av. Angélica, 2503 - 12º andar - Conjunto 125 - Higienópolis - 01227-200 São Paulo SP  - 11 3258 8878 - contato@neumanne.com

NESTA ESTAÇÃO

Fotos de seu encontro com Nêumanne, na MEMÓRIA ICONOGRÁFICA. 

Clique nesta marca:

 

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde e autor de O silêncio do delator, prêmio Senador José Ermírio de Morais, da Academia Brasileira de Letras, em 2005. Clique na capa para ter acesso à livraria virtual.

Obras do jornalismo de ficção e biografia: Mengele: A natureza do mal. São Paulo: EMW, 1985, romance-reportagem; Atrás do palanque: Bastidores da eleição presidencial de 1989. São Paulo: Siciliano, 1989, reportagem; Reféns do passado. São Paulo: Siciliano, 1992, artigos e ensaios políticos; Erundina: A mulher que veio com a chuva. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1989, perfil biográfico; A república na lama: Uma tragédia brasileira.São Paulo: Geração Editorial, 1992.

Caso não visualize adequadamente esta página, clique no endereço da Estação Nêumanne, acima.

De acordo com a legislação em vigor, esta mensagem não pode ser considerada SPAM por possuir: identificação do remetente; descrição clara do conteúdo; e opção de remoção. Se você não deseja mais receber mensagens como estas, envie-nos novo e-mail, colocando em ASSUNTO, a palavra RETIRAR. Webdesigner: estacao@neumanne.com