|
|
|||
|
|||
|
Júlio César era um estrategista genial e um grande escritor, mas, como político, nem se comparava com seu sobrinho Otávio, que poria fim à velha República romana, tornando-se imperador e adotando como título o sobrenome do tio que o antecedera. Se fosse melhor político, não se teria deixado engolfar pela conspiração que o abateria aos pés da estátua do ilustre patrício que derrotara, Pompeu. De qualquer maneira, o conquistador da Gália deu pelo menos um golpe bem-sucedido em matéria de política doméstica. Queria se livrar da mulher Pompéia e se aproveitou dos mexericos de que ela recebia amigos do sexo masculino em casa enquanto ele comandava legiões em territórios inóspitos e longínquos. Dispensou a necessidade de apresentar provas e, como aquele coronel citado na comédia de Juca de Oliveira, mandou o in dúbio pro reo (na dúvida, a favor do réu) às favas junto com os escrúpulos. Decretou: “à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. A sentença genial ganhou foros institucionais e as democracias decentes a usam para determinar os limites dentro dos quais os gestores republicanos devem agir. Mas na república populista brasileira, toda minúscula mesmo, a regra foi invertida: o rei, a mulher do rei, os irmãos do rei e até os compadres do rei não precisam ser nem parecer. Só têm de negar. |
|||
| © Revista Five, junho-2007 | |||
|
|
|||
|
Encontros com Nêumanne. Contato: |
|||
|
Francisco Mendes, A Girafa Editora, Av. Angélica, 2503 - 12º andar - Conjunto 125 - Higienópolis - 01227-200 São Paulo SP - 11 3258 8878 - |
|||
|
NESTA ESTAÇÃO Fotos de seu encontro com Nêumanne, na MEMÓRIA ICONOGRÁFICA. |
|||
|
José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde e autor de O silêncio do delator, prêmio Senador José Ermírio de Morais, da Academia Brasileira de Letras, em 2005. Clique na capa para ter acesso à livraria virtual. Obras do jornalismo de ficção e biografia: Mengele: A natureza do mal. São Paulo: EMW, 1985, romance-reportagem; Atrás do palanque: Bastidores da eleição presidencial de 1989. São Paulo: Siciliano, 1989, reportagem; Reféns do passado. São Paulo: Siciliano, 1992, artigos e ensaios políticos; Erundina: A mulher que veio com a chuva. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1989, perfil biográfico; A república na lama: Uma tragédia brasileira.São Paulo: Geração Editorial, 1992. |
|||
|
Caso não visualize adequadamente esta página, clique no endereço da Estação Nêumanne, acima. |
|||
|
De acordo com a
legislação em vigor, esta mensagem não pode ser considerada
SPAM por possuir: identificação do remetente; descrição
clara do conteúdo; e opção de remoção. Se você não deseja
mais receber mensagens como estas, envie-nos novo e-mail,
colocando em ASSUNTO, a palavra RETIRAR. Webdesigner: |