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Numa manhã de sábado, Magdala e eu fomos despertados por um
telefonema aflito da filha dela, Juliana, dando conta do
súbito, inesperado e doloroso desaparecimento de um amigo:
Milton, procurador da Fazenda, tinha 28 anos quando foi
surpreendido em casa por um infarto violento e fulminante.
Levantei-me tonto da cama e, ainda sem ter absorvido direito
aquela notícia infausta para um casal recém-formado e em
início de carreira profissional, diante da perspectiva de não
mais morarem em cidades distantes, Andressa em Porto Velho e
ele em Brasília, mas ambos em Caruaru, levantei-me e liguei o
computador. Na primeira página do www.estadao.com.br
destacava-se a foto do ginasta brasileiro Diogo Hipólito
estatelando-se ao chão. Em outro lugar, no mesmo portal,
brilhavam as medalhas douradas do fenômeno americano da
natação, o super-recordista Michael Phelps. A estas imagens
juntavam-se a de um zagueiro fazendo gol contra e a notícia da
derrota do suíço Federer, que tinha sido o número 1 do mundo e
estava perdendo o lugar para o espanhol Nadal. E foi assim que
foi surgindo este poema, que incluí em meu discurso feito na
cerimônia de posse na cadeira nº 01 (Augusto dos Anjos) da
Academia Paraibana de Letras.

«A vida é uma frase interrompida...»
Victor Hugo
O ginasta se projeta no ar
e se prostra ao solo;
o tenista empunha a raquete
e rebate a bola pra fora;
o ponteiro corta com força
e, bloqueado, faz o ponto contra;
o zagueiro desvia a pelota
e a vê morrer na própria rede;
o nadador bate a mão na borda
e sente o mundo a seus pés.
O pódio premia o suor
e o pó é o troféu da derrota.
A existência é uma corrida de obstáculos
sem fita de chegada;
uma partida sem resultado;
uma Olimpíada sem medalha:
todos erram,
todos perdem a vida,
todos são iguais
perante o amor
e a morte.

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José Nêumanne, jornalista, escritor e comentarista de rádio e
televisão, é diretor editorial de A Girafa Editora. Ocupa a
cadeira n. 01, da Academia Paraibana de Letras. |